fredag, november 18

rascunho

( para l. )
há-de haver um tempo para voltar a dormir
não por cansaço ou desistência
mas dormir pela justeza de o fazer
como quem, por fim, percebeu que o livro não estava escrito
- nunca estaria escrito-
e o autor nunca se mostra.

somos assim secretos porque nos julgamos sós
e o único sentido deslindado é o que une esta frase
à próxima, e não o de saber porque a ventania leva
para longe onde já não vejo as mulheres que tanto amei.

fechando assim os olhos
a vida é o tempo que volta do tendo sido
e tudo se acalma e aquieta, os barcos vêm vindo devagar
entre o espaço aberto das retinas.

para quê, afinal, tantos braços
- tanta escrita-
para dormir apenas
e sonhar o que fomos
quando éramos o sono de um outro?

1 Comments:

Blogger M. Mersault apalavrou que ...

"para quê, afinal, tantos braços
- tanta escrita-
para dormir apenas
e sonhar o que fomos
quando éramos o sono de um outro?"

Que bonito, minha cara bovary... é novo? Caso sim, tás em ótima forma malgrada a supradosagem de realidade a que tem sido submetida. Até!

fredag, november 18, 2005 9:33:00 p.m.  

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