onsdag, november 9

não há nenhuma razão para estar aqui. li num verso que as sombras aparecem a quem tem medo do escuro. digo-te bom-dia, mas já morremos. não há nenhuma razão para estar aqui, de saltos altos a fingir que sou gira. esperei vezes de mais que chegasses a casa cansado e a morrer de amor.a tarde inteira na arte de aperfeiçoar desastres interiores e tu sempre soberbo, sempre atrasado. vê por onde andas, disse-te de longe, como se pudesses ter um acidente dentro da memória. sentido proibido.não há nenhuma razão para estar aqui. estou tão farta de te escrever, de escrever, de não dizer nada, de falhar cada vez mais e nem assim cair cair como um eco, um e-c-o. já viste que feio? o meu verniz das unhas todo estragado.que coisa tão feia. morrer, morrer, morrer, que paisagem tão ao longe, só os barcos, não há nenhuma razão para estar aqui. não preciso que me digas, nem falhar foi fácil. errar tudo e cegar de nascença. preciso de errar isto tudo tão perfeitamente que estar aqui seja razão de nenhuma razão e não importe. nem tu, nem eu, nem a necessidade de fazer merda com a junção desta palavra- aqui- e desta outra- aqui. entendes? vê se me ouves e te calas ou dormes ou morres até amanã de manhã, não quero barulho nenhum, nem a tua confissão , nem a tua digestão. útero, demorado útero, tão útero por mim, por ti. a fé que não tenho cansou-me. não preciso disto e estou aqui. palco. caiu-me a máscara ou o rosto?devem ser os meus dedos que precisam de fingir que ainda amam e seguem insanos por onde os não vejo. letras. vindima de letras. não.não.não.não. o meu país é não, a minha voz, o meu mar, o meu endereço, casamento, regime conjugal, paradigma antropológico e fuso horário, um não donde não vejo terra ou mar ou morte ou adeus. que fazes perto de mim ? que fazes aqui se não te vejo? devias ter ido, lá,mais adiante há um país azul, azul ou verde que importa, mas um país com nome de lugar leve e azul. azul ou verde. repito:não há nenhuma razão para estar aqui, mas eu sigo com o drama. espero pela bofetada.ninguém se atreve. avanço e estão comigo povos que sonhei e tu ainda à espera que eu faça isto bem. que eu acerte.tenha juizo, calcule o iva ou a inflação. que eu tenha alma e me segure em pé. rio-me. rio de ti e quase perco o corpo.alma? por quem sois. quero é um lampadário de cristal a latir na pele, isso sim, qual alma, senhor, são rosas. quero tanto calar-me, perder tudo, perder a vontade do texto , a vontade de te amar, perder,perder,perder,va-zi-o. é tão difícil o va-zi-o. tão difícil. manda-me embora. alguém morre comigo ou encerro o monólogo assim? ninguém me escuta, ah, que bom, ensinei a todos o dom de não me escutar, era só isso que eu queria. estar assim só, a falar tão para dentro de mim que todos tivesse ido embora e eu de tão só achasse que nem aqui estava. final patético. heróina no fim do palco, ofélia sem águas. ninguém se mexe. só os barcos, ao longe, doidamente.

3 Comments:

Blogger Luís Filipe Cristóvão apalavrou que ...

quando alê escreve "merda" então o mundo, como nós o conhecíamos, está, certamente, para acabar.

fredag, november 11, 2005 2:12:00 a.m.  
Blogger c. apalavrou que ...

com certeza

fredag, november 11, 2005 2:27:00 p.m.  
Blogger ale apalavrou que ...

merda, merda, merda.

tirsdag, november 15, 2005 5:33:00 p.m.  

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