uvb
alguma coisa deve entre mim e a minha sombra ter mudado
que não me importa saber esta manhã
alguma coisa errada de que não sei sequer o nome
mas despenteia o coração
alguma coisa
que me sento entre a pausa de coisa nenhuma e sei
ninguém partiu mas tenho saudades
o sol sobe pelas pernas instala-se
vejo o mar o vento o verão
e fico a saborear o ódio de estar muito ao longe
onde nem tu nem eu estamos certos
para acertar é preciso ser criança
ter os ouvidos tapados
tantas conchinhas que havia no meu balde
foi assim que acabou a infância
pedaços a mais numa mão muito estreita.
o verão pela manhã acima
endireita-nos a vaidade, sobe o vestido, pede o decote
sinto que podia ser indecente mas sobrou-me a timidez
podia esperar por ti numa esplanada vazia
traçar a perna( devagar) enquanto te olhava atravessando-te aos poucos
depois vinha embora e ria-me
tu até podias não ser tu
um gajo qualquer de boa figura bastava
queria lá saber se ele gostava
das novas tendências da arte ocidental.
esta manhã é insuficiente quando pousa no papel
eu nunca soube medir muito bem
a vida é grande (mas o meu desacerto maior) e tamanho não é qualidade
imposto lava imposto
só não há moeda que me troque
este amor confinado
o corpo a respirar em cima duma mesa vazia
o que não gosto no verão é dos dos dedos
por entre as sandálias
livres respirando alegremente como se neles houvesse
alguma outra coisa que não se resumisse
a um compêndio de anatomia falange falangeta
digo um nome à toa o teu e não recordo. passo a mentir.
não tenho fôlego para tanto. podia cortar os pulsos agorinha mesmo.
melhor mais tarde. agora ponho bronzeador e estico-me toda
na vontade de ser uma boa funcionária do verão balnear
esqueço o jornal a metafísica o meu ódio
pouso a crise o défice
o coração despentado
e vou por esta manhã de sol que não me importa
não sei de nada sei que mudou alguma coisa
que entre mim e a minha sombra
está alguma coisa que insiste em aborrecer-se
e ficar em casa de cotovelos fincados no vazio.
que não me importa saber esta manhã
alguma coisa errada de que não sei sequer o nome
mas despenteia o coração
alguma coisa
que me sento entre a pausa de coisa nenhuma e sei
ninguém partiu mas tenho saudades
o sol sobe pelas pernas instala-se
vejo o mar o vento o verão
e fico a saborear o ódio de estar muito ao longe
onde nem tu nem eu estamos certos
para acertar é preciso ser criança
ter os ouvidos tapados
tantas conchinhas que havia no meu balde
foi assim que acabou a infância
pedaços a mais numa mão muito estreita.
o verão pela manhã acima
endireita-nos a vaidade, sobe o vestido, pede o decote
sinto que podia ser indecente mas sobrou-me a timidez
podia esperar por ti numa esplanada vazia
traçar a perna( devagar) enquanto te olhava atravessando-te aos poucos
depois vinha embora e ria-me
tu até podias não ser tu
um gajo qualquer de boa figura bastava
queria lá saber se ele gostava
das novas tendências da arte ocidental.
esta manhã é insuficiente quando pousa no papel
eu nunca soube medir muito bem
a vida é grande (mas o meu desacerto maior) e tamanho não é qualidade
imposto lava imposto
só não há moeda que me troque
este amor confinado
o corpo a respirar em cima duma mesa vazia
o que não gosto no verão é dos dos dedos
por entre as sandálias
livres respirando alegremente como se neles houvesse
alguma outra coisa que não se resumisse
a um compêndio de anatomia falange falangeta
digo um nome à toa o teu e não recordo. passo a mentir.
não tenho fôlego para tanto. podia cortar os pulsos agorinha mesmo.
melhor mais tarde. agora ponho bronzeador e estico-me toda
na vontade de ser uma boa funcionária do verão balnear
esqueço o jornal a metafísica o meu ódio
pouso a crise o défice
o coração despentado
e vou por esta manhã de sol que não me importa
não sei de nada sei que mudou alguma coisa
que entre mim e a minha sombra
está alguma coisa que insiste em aborrecer-se
e ficar em casa de cotovelos fincados no vazio.
2 Comments:
excelent, mon chou, excelent!
*
muito bom.
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