torsdag, mai 12

porque talvez o meu país seja os teus olhos

( para f.)

porque talvez o meu país seja os teus olhos
e este chão onde digo que te espero
seja outra coisa.
outra coisa com nome de terra
quase isto, quase portugal
mas onde estou como quem já partiu.
porque talvez o meu país seja os teus olhos
da cor do mar
da cor do pinhal que será nau
onde irão muitos fazer de tudo mais longe .
donde estou avisto o céu e talvez estrelas nele
e tanto quanto queremos dizer
e não é nosso
e tudo quanto queremos saber
e não deixam.
porque para amar é preciso desconhecer primeiro
e deve haver quem para nós olhe
e tenha pena
e por isso nos deixe sozinho, sem verdade,
sem amigo
ai as flores do verde pino.

talvez eu não tenha
nada além deste país que morre
e me deixa no cais
a fazer pedra de tanta espera .
talvez eu não tenha
nada além deste país que morre
em que tudo tem
o nome que ouvimos
e outro que só deus sabe .
aqui nesta terra há tanto santo, tanta fé
mas morre-se
como quem não viu nada e nada disse.
aqui nesta península,
o mar começa e a terra acaba
sôbolos rios que vão.

aqui nesta terra
sem índia e sem ópio
sem pessoa
como quem pede muito mais do que pode ser,
aqui neste país,
tejo e rosmaninho,
sino da minha aldeia,
aqui neste terra ,
em que de repente dizem
que somos europeus ,
desaprendo este jeito de península
esta maneira quieta de encolher tanto
que quase é tudo só mar
e desabraço-me deste chão
desta terra
porque talvez o meu país seja só os teus olhos.

1 Comments:

Blogger Luís Filipe Cristóvão apalavrou que ...

cada vez mais ruy belo...
delicioso*

torsdag, mai 12, 2005 12:38:00 p.m.  

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